Precisamos falar sobre Jamey

Certa vez mandei um vídeo de uma menina de uns 10 anos que fez um cover do clipe ‘Judas’ (em alguma cidade da America Latina) pra namorada, foi a primeira vez que ouvi o termo Little Monster. Não, não sou fã da Lady Gaga. Então não me julguem. Não é o tipo de música que escuto normalmente e quem me conhece sabe que não freqüento buatchys. Vejo alguma coisa do trabalho da Lady Gaga quando tem algum lançamento de clipe, algo no twitter, essas coisas assim. Entenderam, não é? Não conheço muito do trabalho musical da moça.

Entretanto, conheço a Lady Gaga militante, rá rá, por essa você não esperava, não é? Acompanho muitas listas de discussão LGBT e recebo muita coisa sobre questões que envolvam identidade sexual e de gênero. Já vi vários discursos da Lady Gaga apoiando a luta pró direitos da comunidade LGBT em paradas Gays. As últimas coisas que vi nesse sentido foram; seu discurso no Europride e recentemente sua fala no VMA.

No último dia 23 Lady Gaga participou do festival iHeartRadio Musical, em Las Vegas, a cantora emocionou o público ao dedicar a música Hair ao jovem de 14 anos Jamey Rodemeyer que cometeu suicídio no último dia 18.

Jamey sofria bullyng homofóbico desde o final de 2010 quando se assumiu bissexual pelo Formspring. O garoto, assim como muitos de nós, twitteiros, blogueiros e interneteiros (ok, vou parar por aqui) procurou na internet amigos que não encontrava na ‘real life’. Infelizmente, o garoto encontrou foi mais homofobia. E recebia ataques constante em suas páginas na internet. Jamey, chegou a gravar um vídeo pro It Get Better, em que ele fala que as coisas vão melhorar, e que se você não encontrar apoio nas pessoas próximas, era pra se mirar na pessoa que ele conhecia que mais apoiava a comunidade gay, a Lady Gaga, e o fazia muito feliz. Porque como diz a Lady Gaga, em Born This Way, ele nasceu assim, então só tinha que se amar como era e as coisas iriam melhorar.

A última mensagem de Jamey no twitter foi algo como “Adeus Mãe Monstro, obrigado por tudo que você fez”

————–

Até quando? Até quando vidas serão destruídas ou limitadas por causa dessa merda de homofobia, hein?

Eu sei que algumas pessoas vão brigar comigo porque voltei a postar sobre coisas pesadas e que eu tinha prometido falar sobre coisas leves. Mas meu, nós precisamos falar sobre Jamey, assim como precisamos orar para Bobby. PRECISAMOS discutir isso, desvelar essa merda que é a homofobia.

Tem pessoas morrendo, pessoas que não podem esperar as coisas melhorarem amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem, ou daqui há 10 anos quando tiver estabilidade financeira pra fazer o que quiser da vida.

Tem pessoas tendo sua liberdade limitada agora. Temos começar a discutir sobre sexualidade, discutir sobre identidades sexuais e de gênero. Precisamos falar, discutir, brigar se for preciso. Heterossexualidade não é natural, universal e normal! Existem várias identidades sexuais heteros, homos, bi, identidadades de gênero femininas e masculinas. Precisamos falar sobre sexo e sexualidade pra mudar esse quadro.

E pra finalizar, escutei umas músicas da Gaga, Hair e Born This Way. Acho que a Gaga tenta fazer do jeito dela com que se fale/pense em identidades diversas.

Tava pesado o post? Desculpa. Mas eu precisava falar sobre Jamey. Ouve essas duas músicas, coloca bem alto. Vai pro chuveiro e canta, dança. A vida fica mais leve.🙂

“I’ve had enough /I’m not a freak / I just wanna be myself and I want you to love / Me for who I am”

——

“No matter gay, straight or bi /Lesbian, transgendered life /I’m on the right track, baby /I was born to survive/ No matter black, white or beige / Chola or orient made /I’m on the right track, baby /I was born to be brave / I’m beautiful in my way / ‘Cause God makes no mistakes / I’m on the right track, baby

I was born this way

11 Respostas para “Precisamos falar sobre Jamey

  1. eu gosto quando você fala das coisas mais pesadas, porque colocam a galera pra pensar. eu ando percebendo uma coisa: quem não é homofóbico, é alheio. não quer discutir, acha tudo tão glamuroso, lindo e concluem que a vida é maravilhosa do lado de cá do arco-íris. então acham que a gente reclama demais, ostenta demais a “gayzice” (eu cheguei a ouvir isso de gays). aí não há discussão e a gente fica meio que batendo em ponta de faca sozinho. e a gente precisa mesmo falar, principalmente pelos novos, essa galera que tá se descobrindo agora, bem na hora que o mundo parece retroceder a tempos do velho testamento.
    eu gosto da Gaga, muito. pela militância, pelas letras da música, pelo carinho e respeito que ela tem com os fãs. e também a acho uma grande musicista.
    beijo e continue falando desse lado da moeda.

  2. Ótimo post.

    Eu só não concordo nem um pouco com essa idéia de “I was born this way”, maaaas acho a militância da Gaga válida.

  3. É triste ver a intolerância tolher vidas. Desejo força e esperança pra todos que passam pelas mesmas adversidades.

  4. Sim, é preciso falar sobre cada Jamey que sofre desse maldito preconceito! E quer saber? Não acho esse texto forte, forte é essa intolerância idiota q insiste em destruir tantas vidas! Isso tudo precisa ser vomitado na sociedade de vez em quanto para eles se lembrarem que estamos aqui e que não vamos engolir isso tudo!

    Não gosto mto da LadyGaga, mas essas músicas são incríveis…

    Tamo junto!

    Bjxxx

  5. Primeira vez que venho aqui. Concordo com o que você disse. A questão não é se ela é boa musicista e sim a mensagem que ela passa. Não achei nada de pesado no seu texto. A verdade é que ninguém quer falar sobre isso. Ninguém quer pensar sobre esse tipo de assunto, então, quando alguém fala disso a gente acha “pesado” ou fica incomodado, ou ainda acha que a pessoa que comentou o assunto é uma chata. Só queria mesmo lembrar uma coisa: NÃO É SÓ A QUESTÃO DA HOMOFOBIA – É A QUESTÃO DA DIFERENÇA- QUALQUER PESSOA, DIFERENTE POR QUALQUER MOTIVO, ESTÁ SUJEITA À DISCRIMINAÇÃO, SEJA ELA PSICOLÓGICA OU FÍSICA. Então quando a gente fala de homofobia, a gente tem que lembrar que tem muita gente que não é gay que também está sofrendo por aí, e que se matou por não aguentar essa pressão maldita, essa mania do ser humano de formar grupinho e esquecer do reto do planeta, e te “F*** porque você não faz parte dele. E eu acho que quem é militante, como você parece ser, tem que se lembrar disso. Não adianta nada defender a liberdade de um grupo e no dia a dia fazer fofoca do “fulano” que é isso ou aquilo, ou rir de quem não pensa como nós, ou evitar “ciclano”, porque aí estamos sendo hipócritas e o pior: nem nos damos conta, porque é tão comum que já virou hábito. Não estou dizendo que você faz isso, até porque não te conheço. Mas conheço uma galera que faz e por isso estou aproveitando o post pra lembrar : QUE A GENTE TEM QUE APRENDER A RESPEITAR AS DIFERENÇAS. Difícil pra caramba, tô custando a aprender. E eu já estou quase nos 40.É uma luta interna diária porque aprendemos isso na escola, na infância. e a Lady Gaga tem isso. Ela fala da homofobia mas TAMBÉM FALA DAS OUTRAS DIFERENÇAS. E antes que alguém tente me apedrejar, eu sou bi. Só queria mesmo lembrar que não é só isso. NÃO É SÓ ISSO, MESMO.

  6. Érika,
    Falar de suicídio é pesado, mas é necessário. Acompanho o seu blog há pouco tempo, contudo sinto que a conheço. Você escreve de maneira transparente, verdadeira, honesta, o que aproxima as pessoas. Concordo com a Verônica, o tema tem que ser tratado, conversado e divulgado. Principalmente devido à mobilização incipiente que existe no Brasil, são poucas as pessoas que se assumem não heterossexuais, e as que se assumem não se envolvem muito nas questões políticas. É triste dizer que eu me incluo no último grupo. Me envolvo em algumas coisas, mas sei q é pouco. Agora que estou com planos de vida a duas, vejo como é importante se engajar politicamente para vivenciarmos nossos direitos constitucionais, ter a nossa família com os devidos direitos. E vejo que a única forma de viver nossos direitos é recorrendo ao judiciário, Já que o legislativo permanece recusando-se a avançar. Só de pensar, confesso, desanimo. Eu que sempre me pautei pela liberdade (a minha e a dos outros), descubro que não estou livre. Quando leio um texto como o seu, eu animo. O entusiasmo (vitamina E ) toma conta de mim, porque as pessoas não são coisas que os humanos “perfeitos” podem julgar e atormentar até a morte. As palavras têm poder. Os homofóbicos sabem disso e pregam sem parar, usam a tática da lavagem cerebral religiosa (que é o único argumento). Eu sei porque tenho uma pregadora em casa, minha mãe. Vejo que temos que nos organizar mais, falar mais, exigir mais. Os religiosos estão tomando conta do legislativo, não sei como que as pessoas “normais” não vêem que isso representa não só uma não conquista de direitos LGBTT, mas também um retrocesso principalmente para as mulheres. As marchas pelo Estado Laico é pouco, temos que mexer mais esse país (em relação a tudo). O nosso direito civil morreu no Congresso, a última palavra foi da CNBB, o que o diga os muitos Jamey e Bobby brasileiros de quem não tivemos notícias. Continue, é de pessoas como você que o mundo carece. Abrejos.

  7. Poucas vezes vi alguém falar sobre o assunto com tanta propriedade e coerência. Acompanho o blog há algum tempo e toda vez que vir alguma manifestação homofóbica já sei onde mandar a pessoa se informar.

    A luta é grande e díficil, mas não desista. Vale a pena.

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