Gay? Eu?

As primeiras lembranças que tenho da homoafetividade na minha vida são de quando eu estava entre a 5ª e 7ª série. Eu era apaixonada por uma coleguinha de classe, a Joana*. Eu ainda não entendia o que essa quase devoção significava. Não entendia mesmo. Eu só adorava conversar e estar com ela. E eu sempre fui uma pessoa que adora presentear aqueles que amo. E com a Joana não foi diferente. Quase todos os dia era um presente, ursinhos, livros, CDs, revistas, pôsteres dos Back Street Boys (É, ela gostava deles), do Leonardo Di Caprio e por aí vai (cada geração tem o Justin Bieber que merece), papel de carta, e qualquer coisa com a qual eu pudesse presentear a minha amiga. Mimá-la.

Até que um dia, um dia do amigo, se me recordo bem em que comprei um cartão e um ursinho pra minha amiga. Esse cartão era especial porque vinha com uma cápsula que continha uma espuminha que quando em contato com a água se rompia e a espuma inchava formando uma grande e vermelho ‘eu te adoro’. Eu tinha por volta dos 10-12anos e achava aquilo mágico. Fantástico. Era um belo presente pra minha amiga e ela realmente adorou. No dia seguinte minha querida amiga chegou na escola com o cartão, o urso e o ‘eu te adoro’ rasgado. E me entregou. De acordo com a mãe de Joana aquilo não era um presente que uma amiga deveria dar a outra. Que ela não poderia ser minha amiga e que aquele carinho que eu tinha por ela era uma aberração, um pecado e que ela se afastasse de mim. E que ela a partir daquele momento recusasse todos os presentes que eu oferecesse.

Eu acho que nunca chorei tanto na minha infância/adolescência quanto naqueles dias. Eu não entendia porque a mãe dela queria que nos afastássemos. Depois desse episódio, eu tive outros problemas na escola. Alguns meninos me empurravam no corredor, ficavam rindo apontando o dedo e me chamavam de sapatão e eu não sabia ainda o que isso significava. Eu só sabia que eu não queria ser aquilo. Eu não queria aquela definição pra mim.

Eu sempre estudei em escolas da periferia, e vivo ainda hoje na periferia, e sei que a homossexualidade não tem espaço pra aparecer aqui. Não se fala sobre isso, no máximo se usa ‘viado’, ‘bicha’, ‘sapatão’ e ‘traveco’ como forma de hostilizar e agredir alguém. Eu não sabia o que significavam essas palavras, mas sabia que eu não queria ser aquilo. De modo algum.

Desde o dia em que a mãe da Joana me denominou como uma aberração, eu só saia de casa pra ir pra escola. Eu desenvolvi uma fobia social tão intensa que quando eu era obrigada a estar em outro lugar que não a minha casa eu começava a tremer, suar frio e não conseguia sequer falar. Pensei em suicídio uma dúzia de vezes. Uma vez peguei uma corda, mas não tive coragem de dar cabo a minha vida. Durante um tempo me cortei, mas não durou muito.

Então eu evitava todo o contato que eu pudesse ter. E isso se estendeu durante grande parte do ensino fundamental, do médio, da época de cursinho e nos primeiros anos de faculdade.

Eu conheci a minha ex-namorada com a qual mantive um relacionamento por 6anos no cursinho. Ela era namorada da minha prima, mas essa história vai ficar pra outro dia.

Meus pais descobriram nosso namoro logo no inicio, acho que a gente namorava há pouco menos de um mês quando minha mãe entrou no meu quarto chorando e me perguntou se eu estava usando drogas, porque eu estava estranha, não saia do quarto, sempre ao telefone com alguém e sempre escondia o telefone. Eu ainda hoje nao sei porque diabos ela perguntou se eu estava usando drogas. Isso é comportamento de viciado? RS… E eu na minha grande inocência disse que não. Eu não estava usando drogas. Eu estava apaixonada. Apaixonada por uma menina. A Ana*.

Naquele exato momento a minha vida se tornou um inferno do qual eu poderia jurar que nunca escaparia.

Meus pais fizeram uma reunião com meus irmãos (todos mais novos) e começaram a me falar que eu estava doente, que eu iria fazer um tratamento. E que além de doença aquilo era um pecado. Foi um dos momentos mais dolorosos da minha vida. Meus irmãos choravam, eu chorava, meu pai me olhava com desgosto. Minha mãe falava coisas irrepetíveis e que eu procurei bloquear durante muito tempo.

[Minha relação com minha família nunca foi fácil. Eu sempre fui a ‘ovelha negra’. Minha mãe casou-se obrigada com meu pai e sempre jogou isso na minha cara. Que ela estava casada por obrigação com alguém que não era o ‘grande amor da vida dela’. Meu pai sempre foi distante. O que eu sei dele? Dizem que somos muito parecidos. ]

Minha mãe me tirou do cursinho, da academia e do inglês. Fiquei sem celular e computador. Fui obrigada a trabalhar no supermercado (que eu sempre vi como um limitador pra minha vida intelectual e como um abismo que teimava em me sugar). Ia pra igreja todos os dias e tinha que rezar com minha mãe em casa, participar do terço e de novenas na casa de parentes e amigos. Em determinado momento desse período ocorreu de um seminarista da comunidade se ordenar padre no Ceará.  E minha mãe me arrastou com ela, disse que ia me fazer bem, que seria bom ficar longe pra ‘espairecer’. Foram 8 dias de viagem, 3 pra ir, 3 pra voltar, ficamos dois dias nos confins do Ceará, rezando. E no único dia em que fomos a uma praia eu passei mal. Deveria ser a homossexualidade saindo desse corpo (RS…)? Pra desgosto da minha mãe eu me aproximei muito de uma menina que também viajou com a gente. Ficamos muito próximas nesses 8 dias e eu cheguei a achar (e disse isso pra menina) que estava apaixonada por ela.

Durante aproximadamente 1ano e meio a minha mãe não podia me olhar que chorava e sempre tentava alguma intervenção religiosa pra me curar desse ‘vício’. Me mandou pra análise. Fui uma vez só. Fugi da análise. Eu ia pro cinema (RS..).

Um dia não sei porque ela desencanou. Mantive o namoro com Ana escondido durante todo esse tempo. Só nos primeiros meses nos afastamos, era pesado pra mim.

A primeira vez que fizemos sexo eu me senti tão culpada que quando cheguei em casa comecei a rezar e a chorar. Achei que estava possuída pelo demônio. Juro. A neura durou uns 3 dias.

Voltei pro cursinho, me matriculei na unidade em que Ana estudava… Os pais e a irmã dela me odiavam. A mãe dela chegou a dizer que não me queria na casa dela porque não queria o homossexualismo ali, que isso era uma doença, uma aberração.

Ouvi que sou uma aberração da mãe da Joana, da minha mãe, da mãe da Ana, e de muitas outras pessoas durante esses quase 7anos em que sou assumidamente lésbica.

Namoramos cerca de 6anos assim. Nunca pude expressar afeto por Ana em público.  Ela nunca se assumiu. E sofria com isso cotidianamente. E eu também.

Quando entrei pra faculdade tive problemas por causa da minha homossexualidade. Alguns colegas de classe descobriram a minha homossexualidade e passaram a cochicar sobre isso. Certa feita eu ouvi comentários sobre mim no banheiro. Eu estava num dos boxs quando algumas meninas falavam sobre a minha ‘anormalidade’. Permaneci ali. Imóvel. E arrasada por algum tempo. Durante quase dois anos eu só mantive contato com duas ou três pessoas da minha classe.

Acho que o que me salvou da fobia social que ainda me encontrava foram as pesquisas que eu comecei a desenvolver justamente sobre a homossexualidade e a homofobia. Comecei a participar do GUDDS!. Até entrar pro GUDDS! os únicos gays que eu conhecia eram minha namorada e um amigo dela. O GUDDS! e as pesquisas me abriram um novo horizonte.

As pesquisas foram fundamentais na minha vida. Eu que sempre quis mudar o mundo achava que através delas eu poderia desconstruir o preconceito que me rondava e me limitava. Eu queria um mundo melhor, onde a minha namorada não sofresse preconceito e não tivesse vergonha de ser quem ela era. Nesse momento da minha vida eu pensava mais nela do que em mim. Porque a homofobia limitava muito mais a vida dela. Os meus pais já sabiam. Os dela não. A pressão que ela sofria era infinitamente superior a qualquer discriminação que eu sofria na rua. E eu já sabia o que era aquilo. Já tinha sofrido isso.

Terminamos o namoro 1 ano antes da minha formatura. Nesse período conheci outras pessoas gays além das do GUDDS!, comecei a me envolver com movimento social, entrei pro escritório de direitos humanos. Comecei a namorar uma pessoa mais velha e que já tinha passado por todo esse processo com a família. No começo era difícil pra mim expressar afeto em público, o que chocou ela e os amigos. Namoramos por uns 3 meses, e ela dançou a valsa comigo no baile de formatura. Meus pais já tinha ido embora… Acho que minha mãe me viu beijando a ex-namorada e disse que ia embora pra eu poder ‘aproveitar’ melhor a festa.

Atualmente minha mãe mostra meu álbum de formatura e aponta as minhas ex-namoradas. E usa essas palavras: ‘Essa é fulana, ex-namorada da Érika’

Meus ouvidos ainda não se acostumaram a ouvir a minha mãe falando das minhas ex-namoradas pra outras pessoas.

Continua aqui https://inquietudine.wordpress.com/2011/08/13/as-coisas-vao-melhorar/

*Nomes fictícios, a Ana, por exemplo, me odeia hoje. Poderia me processar rs…

59 Respostas para “Gay? Eu?

  1. eu chorei lendo o texto. qdo minha mãe começou a encucar que eu tinha tendências homossexuais, me deu um gelo tão grande que eu me fechei para o mundo e nunca toquei no assunto sexualidade com ela.

  2. Érika
    Confesso que chorei de pensar no que vc passa, só por ser quem é.
    Me indignei, me revoltei com a limitação de tanta gente, gente querida, gente próxima, gente que te conhece, e de tantos desconhecidos;
    Não tenho palavras para te dizer o quanto te admiro.

  3. Érika, pelo pouco tempo que convivemos, percebi que, por trás de sua timidez inicial havia uma pessoa única, inteligente e sensível. Não, você não é uma aberração. Você é uma pessoa que merece respeito e consideração. Não é admissível que as pessoas que mais amamos não nos acolham quando mais precisamos. Mas você é forte e se basta a si mesma.
    um grande beijo, menina

  4. Eu le o texto completo, e quanto mais eu lia mais me aprofundei no seu dilema existêncial. Nem sei imaginar como foi sua vida durante esse espaço de tempo, espero sinceramente que ela daqui para frente seja apenas felicidades e sucesso. Boa Sorte. Kindin.

    • E você era um desses poucos com quem eu tinha contato! Saudades Diogo, o S do meu GLS! rs…

      beijos! E obrigada pelo apoio! Sinto muito a sua falta, meu querido!

  5. Tudo que eu queria depois de ler este texto é te dar um super mega abraço. E é tão bom conhecer você, queridona. Saber que um dia fiz sanduíche e café para você. Te dei alguns “eu te adoro” nesse nosso pouco tempo de convivência, porque você merece muito. E estamos aí na luta para mostrar para as pessoas que todo amor é essencial.

  6. Érika, você é incrível! Autêntica, humana, corajosa, intensa, apaixonada (isso eu posso falar porque eu já presenciei algumas ‘crises’ suas. kkk), inteligente. Orgulho-me em conhece-la e por você fazer parte do meu grupo social. Grande beijo!

  7. Caraca, conheço amigos passando por isso, é triste, e hoje conversei com minha mãe sobre isso e vi quanto ela é intolerante, se não temos compreensão da nossa própria família, da sociedade fica mais difícil, mais a luta continua.

  8. Quando eu leio essas porras e nego me pergunta porque eu são tão irritado com tudo dá vontade de responder: Porque vivemos em uma sociedade bem filha da puta e você é parte dela.

    Não sou gay, ao menos até hoje de tarde ou fora da vinculação atávica com meu tricolor, não sou exatamente zoável: sou Branco, Grande, Forte, de Classe média, falo bem e não tenho indicios de bullying, embora qdo mais novo eu fosse zoado pro ser magro até quando descobri meu tamanho e força e ai resolvei com os punhos. Não tenho nada de igual a gays, negros, anões, mulheres, nada, nada que me vincule a eles, nada além do fato de ser humano.

    Talvez eu fosse o cara perfeito pra oprimir os outros, sou perfeito pra isso, meu tamanho, cor da pele, conhecimento e facilidade de me expressar me dariam todo o poder do mundo pra isso, mas isso me faria mais um filho da puta, e, de boa, não consigo.

    O relato acima me fez ficar mal, muito mal, quase que culpado por fazer parte dessa sociedade filha da puta, mesmo lutando contra ela a todo momento e ser exatamente o oposto dos que tratam as pessoas como o relato informa. Eu tenho vergonha de ser branco, homem, adulto e heterossexual e isos não é brincadeira, porque quem é isso é opressor, é parte do problema.

  9. Nossa, que texto forte. Te acompanho no twitter e não imaginava que por traz de um “eu falo pra caralho” existia essa pessoa. Infelizmente, tivemos que passar por essas e outras, e portanto, temos o dever de lutar contra qualquer forma de opressão. Você ganhou uma admiradora, aliás, já o era pelo seu trabalho, agora sou ainda mais pela sua história.
    Conte com uma defensora dos DH em Natal.

  10. Eu me entristeço tanto lendo relatos como seu. Quero viver no mundo em que as pessoas não sejam definidas por sua sexualidade. Porque é disso que a gente tá falando no final das contas, todo mundo é muito mais do que sua sexualidade. Não tem nada de errado com ser lésbica, mas essa definição tá longe de encerrar tudo o que você é, assim como a heterossexualidade não diz quase nada sobre mim. Mas a homofobia faz com que a sua sexualidade passe a ser o centro da sua experiência, que marque a sua história de maneira dramática, criando um filtro mesmo no olhar que as pessoas tem sobre você. Difícil pra você e limitador pra quem só te vê por esse ângulo.

  11. Érika,
    é triste saber quem tantas vidas e relações são despedaçadas por situações como essa que você relatou.
    Já disse outras vezes, mas me orgulho muito de como você planta flores com todo o esterco que algumas pessoas produzem

  12. feliz por vc, moça. mais um nos 6,5 bilhões do mundo que resolveu ir contra muito apenas pelo universal direito de ser o que é e quer ser.
    isso encoraja, anima, faz crer que ainda pode haver verdade no mundo.

  13. Ler relatos como o teu sempre me entristecem tanto, tanto. Absurdo e vergonhoso viver num mundo em que pessoas são tratadas como aberrações por causa de algo tão simples, natural e inofensivo quanto a própria sexualidade. Absurdo viver num mundo que vê problema em amor e sexo. Militante ou não, assumido ou não, todo homossexual é um guerreiro. Simplesmente por ousar viver nesse mundo tão imbecil. Um beijo enorme procê, flor. Fazendo coro com todo mundo, orgulhão ter te conhecido =)

  14. Érika,
    Lindo texto e também doloroso. Certas lembranças são bem pesadas…
    Lembrei também dos meus pesos e te agradeço. E que bom que temos a escrita pra expurgar tudo isso. Sinta-se abraçada. Namastê. Anasha

  15. interessante esse processo de aceitação né? lembro de ter passado por coisas muito semelhantes e de me fechar pro mundo. mas a medida que ia conhecendo mais pessoas e descobrindo mais sobre o mundo gay, a coisa foi ficando mais fácil… ainda não me assumi pra família, mas meus amigos todos já sabem! e quando paro pra pensar, vejo o tanto que evolui em cerca de 5 anos… enfim, parabéns pelo texto. emocionante e sincero! bjos

  16. Muito comovido com seu texto! E compartilho dessas dores que vc mencionou! Espero que um dia, mesmo que num futuro bem distante, as coisas sejam diferentes! Isso me faz lutar todos os dias! “Lutar pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo”

  17. Fiquei emocionada! Seu texto é muito corajoso de tão sincero e sensivel!
    Que bom que voce conseguiu ressignificar e potencializar a homoafetividade em sua vida! Tomara que muitas outras pessoas (homoafeitvas ou não) também consigam… e assim, poderiamos sonhar com uma sociedade mais justa e solidaria!

  18. Érika, olá! Conheci hoje o seu blog, através de um link no Twitter.

    O seu relato é extremamente tocante, e eu estava ficando tão triste o lendo… mas no momento em que você fala da mudança de sua mãe com você as coisas se iluminam. Fiquei muito feliz que ela tenha conseguido superar (pelo menos em parte) os seus preconceitos. Imagino que isso foi bom pra você e pra ela.

    Agradeço muito ter contado a sua história.

  19. aii.. quase chorei… mas foi com final.. sua mãe.. falando isso rs (ahh pra mim.. foi.. é mais fácil um pouco… mas não é facil não:/ )

  20. Érika que coisa linda!!! Chorei também. Que bom que você tem a coragem de falar isso e disso dessa maneira. Que bom que existe você no mundo pra falar com essa coragem. Você é linda e especial, espero que você nunca perca isso de vista. Beijos

  21. Oi Erika, não. fui as lagrimas com seu relato pois já estou meio “curtido” com relatos de discriminação de todos os tipos… sou ativista de DH e do movimento negro…; mas a parabenizo , pois seu ato pode ajudar muit@s que passam por isso e a mudar a cabeça de gente que não aceita nem respeita a diversidade … grande abraço!

  22. Pingback: As coisas vão melhorar | InQuIeTuDiNe·

  23. Gostaria que a mãe da *Fernanda pudesse ler o mal que ela causou a uma criança que nem sabia direito denominações e preconceitos da sociedade.
    É surreal que isso ainda ocorra, que tenha tanta gente de mente pequena, tanta gente querendo controlar a vida do outro.
    E o quanto pessoas que são gays sofrem, por simplesmente, se apaixonarem por alguém do mesmo sexo.
    É vergonhoso ainda ocorrer esse tipo de descriminação.

  24. Eu e minha esposa estivemos nos dois últimos dias envolvidos numa discussão aqui no Facebook a respeito de homossexualismo e religião. Alguns jovens religiosos expressavam sua angústia diante do conflito que parece existir entre a aceitação do cristianismo e a aceitação sem reservas dos direitos que homossexuais têm à expressão de suas emoções. A grande questão, para eles, era o lado “público” do homossexualismo: gays andando de mãos dadas, ou se beijando em novelas. Tentamos mostrar que o preconceito já está presente a partir do momento em que você acha que as regras devem ser diferentes – entenda-se, mais estritas – para o homossexual. Tentei argumentar também do ponto de vista religioso, mostrando que o mandamento do amor a Deus sobre todas as coisas e ao PRÓXIMO como a si mesmo implica (queiram os teólogos conservadores ou não) uma obrigação de não discriminar o próximo apenas porque ele é diferente de nós. O amor, nesse caso, quer dizer antes de mais nada RESPEITO, e estamos desrespeitando um gay toda vez que articulamos um discurso no qual a sexualidade dele aparece como pecaminosa. Tentamos, enfim, argumentar de todo modo. Nenhum argumento, no entanto, consegue ser mais convincente do que um depoimento como o seu. Por isso, nós o postamos ao final da discussão, para que todos tivessem acesso a ele. Quem quiser dar uma olhada, vá até lá. Eu sou o Recruta Zero (minha identidade secreta, à prova de alunos indiscretos… rs…).

  25. Fico feliz com um coração gay tão resistente. O movimento, o mundo, os abraços, a vida – tudo precisa que a gente resista e consiga expandir isso. Estou certa de que muitas pessoas se sensibilizam (e se sensibilizarão) com o que trazemos dessas experiências (meio duras, de ser mulher lésbica) e podem olhar para própria vida sem medo/culpa. Um abraço!

  26. Não há qualquer demérito em DiCaprio, ator da melhor cepa do Actors Studio (escola que nos deu Paul Newman e Marlon Brando), à época já bastante premiado (por Gilbert Grape, em que contracena com, este sim mediocre e superficial, Johny Depp).

    Não por acidente ele é “o ator scorceseano” da última fase de Scorcese. O que quer dizer que ele se equipara a Daniel Day Lewis e a Robert DeNiro. Não é pouco.

  27. Muito belo e tocante este teu post. Como psiquiatra, me alegra muito o fato ter ajudado um pouco alguns adolescentes a se sentirem bem em ser como são e seus pais a entenderem que têm filhos lindos e sãos; que são meninos e meninas inteligentes se preparando para o futuro e que sua sexualidade é mais uma entre muitas possibilidades, todas normais e boas porque formas de amar e querer bem são, a priori, saudáveis e boas. Parabéns. Se precisar, vou usar seu post, ok? (com a devida citação, é claro).

  28. Belo texto Érika, parabéns pela coragem de se expor assim, não no sentido da homossexualidade, mas no sentido do sofrimento, coisa que poucos conhecem…Gosto de ver lutas por menos preconceito e mais democracia! Estamos juntas na luta!

  29. Comovida com o texto! E apesar de ñ ser gay, sofri na pele tal preconceito, nasci numa família cristã q além de castramento psicológico, dsd infância meu cunhado (pedófilo) me molestava e qd criei coragem p falar em casa, ouvi q eu qria denegrir a imagem de 1 homem temente à Deus! ( e isso começou nos meus 9 anos) adolescendo saí de casa e pirei, além dos perrengues q vivi, (passei fome dormi na rua) qm me estendeu a mão foram sempre os homossexuais (tinha trauma dos Hs. Cheguei a pensar q era gay tb, já levei 1 chute violento na bunda (1 cara me seguindo, plena R.daConsolação SP) por me despedir de 1a girl c 1 bj no rosto, e detalhe, há pouco numa crise de consciência meu cunhado confessou q tentava me bulinar pra saber se eu era gay! E se fosse? Ele qria me estuprar pra me corrigir? Dps mudou a versão dzndo q eu o atentava exibindo os ‘peitões’ (palavras dele) eu era franzina e desenvolvi corpo aos 15anos qd reagi então aos 6anos de assédio doentio. Hj cheia de sequelas do passado, defendo gays, crianças e oprimidos c tdas as minhas forças! Essa bandeira eu levanto c orgulho! Seja mto feliz! Abs.

  30. Parabéns pelo texto. Me identifiquei muito. A parte da fobia social também ocorreu comigo aos 13 anos. Me inspirei no seu texto. Eu acho que também tenho muito a escrever e a compartilhar. Obrigado!

  31. Pingback: #BoicoteDuloren | Groselha News·

  32. Pingback: nunca é cedo pra pensar nos nossos filhos. « estranho seria·

  33. Muito obrigada a todos pelo carinho, tou chorando com os comentários de vocês! Muito obrigada mesmo! Só postei pra compartilhar essa história com outros (uma pessoa em especial) que estão passando por isso agora! Força queridos! A luta contra a homofobia é todo dia! =***

  34. Pingback: O cheiro do armário ou notas sobre orgulho | InQuIeTuDiNe·

  35. Maravilhoso o seu relato, me emocionei aqui e consegui me identificar com você. Mas minha mãe não reagiu tão mal quanto a sua, sempre que eu tocava no assunto tentando falar pra ela que eu sou bissexual ela sempre falava “Ah minha, tudo bem se você fosse sapatão né, mas eu realmente preferia que você fosse hétero.” Isso realmente me machucava, um dia no meio de uma briga eu falei pra ela, ela se trancou no quarto e ficou lá chorando sem falar com ninguém por uns dois dias até eu ir lá tentar resolver as coisas, ela ficou um pouquinho melhor depois que falei pra ela como doía a própria mãe tratar o filho assim, mas mesmo assim dá pra ver que ela tenta negar que eu sou assim, dizendo que é moda, que eu gosto de meninas porque acho isso muito “moderno”. Desde então nunca mais tocamos no assunto, em parte por estar namorando um garoto atualmente, mas tenho até medo de pensar como seria se no futuro eu me casasse com uma mulher. Espero que um dia ela entenda que é normal algumas pessoas gostarem do mesmo sexo.

  36. Érika, nunca estive exposto da mesma que você, mas sofri da mesma forma. Não sei por que mas entrou um cílios no no meu olho bem NA HORA que eu estava lendo o seu texto… Rsrs
    Fui muito machucado a vida inteira, por anos fiquei muito recluso e sozinho… Foi muito triste mesmo.
    Mais uma coisa: SUA LINDA!!! Você passou a ser leitura obrigatória!!!!

  37. As histórias da maioria sempre é assim, o pior momento da minha vida foi quando meu pai me obrigou a dizer a verdade na frente dos meus irmão mais novos. Naquele momento acreditei realmente que minha vida acabaria ali pois perdi o chão e a relação com minha familia ainda é dificil embora eles respeitem.

  38. Até hoje eu não tinha comentado, mas já divulguei em alguns lugares esse teu post. Queria só dizer que te acho maravilhosa e inspiradora, e acho e extremamente admirável você ter convertido algo tão doído (a homofobia) em luta. Te acho um exemplo. Obrigada por ter sido tão forte. Eu compartilhei, com os devidos créditos, seu texto no meu tumblr, ok? http://girsl.tumblr.com/post/9378903990/gay-eu Se quiser, eu posso retirar.

  39. Érika, apesar de te conhecer há alguns anos, não conhecia uma parte dessa sua história… Fiquei muito emocionada com o seu desabafo, e muito triste por saber que as pessoas te discriminavam dessa forma, sem ao menos conhecer o seu coração e saber que és uma pessoa de caráter, boa e justa… Apesar de tudo, fico feliz por saber que você tem trilhado seu caminho com garra e dignidade, e como sempre falei: Você têm futuro de muito sucesso ainda pela frente…. Mil beijos pra você e saudades…

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  43. Muito bom ouvir essa história. Acompanhei parte dela meio sem saber, sem ver as entrelinhas, mas sei que foi difícil. Hoje tenho orgulho de poder vê-la falando tão abertamente sobre isso. Acho que pode ajudar muitas pessoas.

  44. Arraso colega. Adorei, estou escrevendo um livro sobre minha vida e a homossexualidade. Você me inspirou a continuar escrevendo. Um beijo na alma e vamos lutar para que a humanidade seja mais humana.

  45. Pingback: O cheiro do armário [2] | InQuIeTuDiNe·

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