Werther, paixões e catarses

Ontem a noite assisti pela terceira vez ao espetáculo ‘A última Canção de Amor Deste Pequeno Universo’. Como disse outrora, brilhante é a adaptação de ‘Os sofrimentos do Jovem Werther’ obra de Johann Wolfgang Von Goethe feita por Cynthia Paulino, diretora e dramaturga da peça em questão, que está em cartaz  no Teatro Marília nos dias 13, 14 e 15 de maio. A nova montagem da Companhia de Teatro Adulto é marcada pela restrição do espaço de atuação, tendo como foco primordial o texto e a atuação.

Da primeira vez que vi a peça fui para a pré-estréia em 2010 para escrever para o site MondoBHZ, da segunda vez fui com amigos e minha ex-namorada, também em 2010, e dessa vez fui com alguns amigos que ainda não conheciam a obra de Goethe.

‘Os sofrimentos do Jovem Werther’ foi escrito em apenas quatro semanas por Johann Wolfgang Von Goethe, que contava à época com 25 anos. Esta obra prima, marco inicial do romantismo alemão, é a própria catarse de Goethe, a purgação de suas próprias paixões. Goethe e Werther por vezes se confundem.

Na Europa, quando da publicação do livro, muitos foram os que cometeram suicídio influenciados pela densidade do texto deste autor alemão. Muitos jovens perambulavam pela Europa vestidos com fraque azul e colete amarelo a exemplo de Werther. Tal obra não trata apenas das vicissitudes da vida amorosa de um jovem. Werther é um inquieto, que carrega em si e tem consciência do peso da própria existência. É possivelmente, mais pela inquietação de espírito expressa em suas páginas, que pela própria história romanesca, que a obra admirável de Goethe desperte o interesse até os dias de hoje.

Os jovens atores Alessandro Aued e Pedro Piazzi merecem destaque nesta brilhante adaptação da obra de Goethe. Alessandro Aued dá vida ao atormentado Jovem Werther enquanto Pedro Piazzi encarna o próprio Goethe. A simbiose e química entre os dois atores é fundamental para o tipo de interpretação que a adaptação se propõe. Um espetáculo maravilhoso que proporciona momentos de catarse para aqueles que em algum momento da vida se identificam ou identificaram com o trabalho de Goethe. Outra que merece destaque é a diretora e atriz da peça, Cynthia Paulino, interpretação impecável da personagem Carlota, e nos deixa emocionados quando se põe a cantar algumas canções de Roberto Carlos. Dona de uma voz maravilhosa, Cynthia Paulino leva o público às lagrimas.

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Dizem alguns que o maior problema na história toda é terem dito a Werther para não se apaixonar por Carlota.

–       Não te apaixones. Ela é prometida a outro.

Diga aí amigo, quem é que nunca ouviu esse conselho? Eu mesma o ouvi algumas muitas vezes nos últimos meses. Isso lá é pedido/aviso que se faça a alguém? Adianta mesmo fazê-lo? Outra, tal pedido por si só pode fazer com que nos apaixonemos só pra contrariá-lo? Só porque nos foi proibido?

Certamente, quem faz este tipo de aviso não compreende o que é uma paixão ou espera, inutilmente, que alguém tenha forças para tomar tal cuidado. Melhor seria não avisar, não dar conselhos. Simplesmente que não apresentasse. =P

Ok, ok, voltemos a Werther.

Werther é um inquieto, não se importa com o resto do mundo porque tem um mundo dentro de si que não o deixa em paz consigo mesmo. Alberto, em determinado momento diz que Werther é um egoísta, pois escravo de suas paixões, não consegue contê-las e acaba se rendendo aos seus caprichos.

–       E o sentimento que tenho por ela devora tudo.

Carlota para afastar Werther diz que ele é um insensato, que talvez superestime os sentimentos que tem por ela:

–       Não haverá então no mundo inteiro uma mulher capaz de satisfazer os anseios do seu coração? Esforce-se para encontrá-la e, juro-lhe, há de conseguir.

Duras são as palavras de Lotte. Mas quem é que nunca as ouviu também?

Quem é que pode julgar o que se passa dentro de nós, além de nós mesmos? Werther nunca recebeu de Lotte alguma esperança de que seu amor fosse correspondido. Mas o que cresceu dentro dele não obedeceu ao aviso de não se apaixonar, nem aos tantos ‘nãos’ de Lotte. Quem pode julgar Werther?

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A morte de Werther não significa o fim. É antes o começo, de algo que insiste em se repetir, repetir e repetir desde sempre. O que será, que será?

O que será, que será?
 Que todos os avisos não vão evitar? 
Por que todos os risos vão desafiar. Por que todos os sinos irão repicar.
 Por que todos os hinos irão consagrar, 
e todos os meninos vão desembestar. 
E todos os destinos irão se encontrar.
 E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá .
Olhando aquele inferno vai abençoar.
 O que não tem governo nem nunca terá. 
O que não tem vergonha nem nunca terá.
 O que não tem juízo…

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