maldade

Venho de uma família de comerciantes, meu sobrenome é o nome fantasia de uma rede de supermercados na região metropolitana de Belo Horizonte, periferia. Todas as reuniões e conversas de família giram em torno dessa atividade, viagens e festas em família são um saco. Evito. Tenho pouco contato com minha família por isso. Sou diferente deles.

Uma das coisas que mais odeio nessa atividade comerciante é a capacidade de desenvolver nas pessoas o instinto de desconfiança. Meu pai sempre falava que a gente tinha que ser mais ‘maldoso com as coisas’. Quando criança eu não entendia isso, ser má? Ele tá me pedindo pra ser má? como assim? Não quero! Para meu pai maldade era sinônimo de desconfiança. Para mim, maldade era maldade, oras! Matar gatos era maldade.

No meu bairro tem uma senhorinha de 60anos (com aparência de 80) que vende café no final do ônibus, super gente boa. Quando eu fazia cursinho no centro de bh e pegava busão às 5h30 para poder chegar na aula das 7h, sempre passava na banquinha dela pra tomar café. Essa senhorinha tem uma história de vida difícil, a família dela era dona de duas padarias, faliram não sei bem por que, e agora ela e o marido de 70anos (com aparência de 95) vendem pães, doces e café numa banca improvisada.

Hoje, como de costume estávamos tomando café, em casa, e minha mãe veio me colocar a par dos acontecimentos na loja. Me disse que o pessoal que trabalha no caixa descobriu que a senhorinha do café estava furtando carne, que ela colocava a carne na sacola, passava no caixa com alguma mercadoria mais barata e ia embora sem pagar a carne.

Perguntei umas 5vezes pra minha mãe se ela tinha certeza disso: mãe, a fulana, cê tem certeza? impossível! Não, ela não faria isso.

Minha mãe disse que sou muito boba, que não tenho maldade.

Talvez, a senhorinha possa mesmo estar furtando a loja, a vida deles é bem complicada. Não sei se ela está furtando, e se estiver, não sei por quer. Mas me recuso a desconfiar dela, me recuso a ir atrás dela quando estiver na loja. Me recuso a ser maldosa como meus familiares querem. E se algum dia presenciar a senhorinha ‘roubando’ na loja, por mim que ela leve (me pai que não me leia). Pois não vai me fazer falta e pra essa senhorinha precisar roubar, as coisas devem estar bem feias pro lado deles. Então, foda-se o resto.

4 Respostas para “maldade

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